Friday, September 14, 2012
Oração
Permite-me estar revoltado.
Permite-me estar contra tudo e contra todos.
Deixa-me exigir justiça, pedir um pouco daquilo do tudo que nos roubaste agora.
Faz com que acredite.
Não percebo os teus caminhos, a tua lei, a tua misericórdia.
Não consigo aceitar o destino, a tua vontade.
Revolta-me a fé que persiste.
Revolta-me entregar tudo nas tuas mãos.
Rezo para que seja.
Peço para que aconteça.
Traz de volta a nossa vontade
Obrigado.
Sunday, September 02, 2012
Estranha forma
Estranha forma de dizer
Abafar sons, calar mundos
Saberes mudos, segredos
Cantares surdos, medos
Estranha forma de pedir
Orar de alma vazia
Agradecer profano
Exigir modesto, heresia
Estranha forma de escrever
Traduzir vidas, olhares
Ritmos, tempos, filosofias
Arcos, sermões, romarias
Estranha forma de sentir
De ocupar sem estar, ausente
Proibir sentido
Acreditar cego, crente
Monday, May 07, 2012
Ser para Parecer
Todas as nossas ações sofrem um processo de avaliação diário, onde o esforço desenvolvido se traduz numa equação básica de resultados.
De nada serve o trabalho se no final o esforço não superar, ou no mínimo alcançar o objetivo traçado.
Vitórias morais podem alimentar a alma, nutrir o ego, mas esbarram na fria observação que dita quem realmente segue em direção ao olimpo ou cai no alçapão da normalidade.
Mas será que atingir o objetivo é suficiente?
Alguns acontecimentos recentes mostram que dificilmente “ser” é suficiente. A conjugação do “ser com o parecer” é essencial.
“À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”
Desportivamente Victor Pereira foi campeão nacional. Todos concordamos que no F.C.Porto não é novidade, o treinador cumpriu o objetivo mínimo. Ser campeão não foi suficiente. A força de parecer abafou o essencial de ser.
“Parecer” exerce hoje em dia uma força monopolizadora. Tudo soa a esforço de marketing para que a génese esteja no “parecer “.
Devemos lutar contra esta tendência. A origem tem que assentar num esforço de “ser” para que naturalmente “pareça”.
Nestes tempos conturbados, não devemos esquecer o essencial, nem avançar etapas nos processos estipulados pelos nossos princípios e educação.
O Tempo encarregar-se-á de abafar o “parecer instantâneo”, reforçando o culto do “ser”, embora o sucesso esteja sempre ligado à arte de os conjugar.
Wednesday, November 09, 2011
O homem sonha e a obra nasce

O início de qualquer projecto começa com um pequeno segundo de distanciamento, ilusão.
Um sonho, mais ou menos exuberante, impulsiona desejos, aproxima vontades.
Fernando Pessoa disse que a origem está na vontade de Deus. A minha vontade esteve sempre ligada a conhecer novas fronteiras, ganhar mundo, alargar horizontes.
Sonhei conhecer a Indochina.
Vietname: horas de filmes” hollywoodescos”, os horrores da guerra, a geometria dos chapéus estranhos, a imponência dos nomes fortes (Hanoi; Saigão)
Cambodja: a marca Pal Pot , Kmer Vermelho, a magia dos templos perdidos na floresta (Angkor Wat).
Tailândia (embora estritamente possa não ser considerada Indochina): a comida nas ruas, as casas flutuantes, o caos organizado, Bangcoque.
Sonhei e a “obra” está quase a nascer!
Esforcei-me por castrar expectativas, vou de espírito aberto, mas reconheço que a espera (longa!) alimentou o sonho.
Parto com a certeza que voltarei com sonhos reforçados, ávido que a obra volte a nascer.
Thursday, August 04, 2011
Lugares comuns

Jogos matinais
Quando o despertador toca o cérebro desenvolve uma capacidade de desculpar todo e qualquer segundo de sono. “Só mais um minuto”. O “minuto” continua a ter 60 segundos, na prática não nos serve de nada, mas naquele momento, aqueles 60 segundos são tudo.
Aviso: não deixem a última matéria para estudar às 6:00 da manhã. “ Vou por o despertador para as 6:00 e ainda estudo antes de ir para o exame”. Não estudam nada. O despertador toca, o cérebro pede mais um minuto e quando dão pelas horas…Não funciona!
Vício crocante
Admito: Sou viciado em todo e qualquer tipo de alimento crocante. Não sei se pelo som, pelo sabor, pela conjugação. O vício atinge toda a sua força nas batatas fritas tipo “ruffles”. Impossível comer só uma. Impossível mesmo.
Viagem no tempo
Nos últimos tempos tenho feito bastantes kms. Nada como o rádio para nos fazer companhia, A1 para cima, A1 para baixo. Acredito que todos temos uma banda sonora que caracteriza fases do nosso crescimento. Cada musica uma etapa, um momento, um grupo de amigos, um local. Muitas vezes dou por mim a reviver tudo isto ao som da vontade do Sr. da rádio. Acho que estou a ficar velho!
O Juízo que não vem
Cresci a ouvir: “Já tens idade para ter juízo”. De facto se o juízo viesse com a idade, já cá devia estar.
Mas não está. Pelo menos todo.
Conheço muita gente feliz que continua à espera…
Nostalgia: versão Domingo à tarde
Não gosto dos Domingos à tarde. Não sei se é pela proximidade da segunda-feira, se pelas estações televisivas escolherem os piores filmes (animais que falam, comédias ridículas, filmes com a cor queimada pelas repetições), se por a sportv não estar autorizada a transmitir jogos de futebol, se…. Há pelos menos mais umas dezenas de “ses” que podiam explicar este meu sentimento pelas tardes de domingo. Pouco altera com o chegar da noite. Ninguém janta ao Domingo. É a refeição da “sopa+qualquer coisa”. Tudo isto ao som das opiniões do Marcelo. Não gosto!
Friday, July 29, 2011
Base Lusitana

Em alturas de dificuldade, crises profundas, a união será sempre uma mais valia. A concentração de esforços, de meios, permite uma resposta mais eficaz.
Terá necessariamente a união obrigar a uma igualdade de comportamentos? Num plano teórico seria a melhor solução, a mais eficaz.
Na realidade da União Europeia a igualdade será sempre uma utopia.
Um Alemão será sempre Alemão, com as suas características, qualidades, defeitos. A história da Alemanha é absolutamente diferente dos países do sul da Europa.
Projectando o ideal alemão para o “mundo” português, a intenção morre à nascença de uma forma desastrosa.
Dificilmente formas de pensar germânicas se enquadram na nossa sociedade, na nossa forma de agir e viver.
Acredito que princípios gerais, leis rígidas de controlo, consigam nivelar o essencial de uma convivência saudável, justa e equilibrada.
A nossa história, a nossa cultura moldam a forma de agir, o temperamento, a matriz da nossa sociedade.
Viver enclausurados por normas estrangeiras estrangula tudo isto. Viveremos como um animal em cativeiro, identificados como portugueses, mas com o passar dos tempos seremos só uma imagem do que fomos, sem alma e sem fado.
Nenhum Eça, nenhuma Amália surgirá neste contexto.
As futuras gerações merecem as nossas qualidades e devem gerir de forma construtiva os nossos defeitos e evoluir no sentido de nos tornar mais fortes, mais competitivos, mais rigorosos, mas justos com o nosso passado e com a nossa história.
Não devemos fugir da realidade, assumindo o nosso descontrolo orçamental, a vida irreal que construímos.
Temos de viver com o que produzimos!
Temos de produzir mais!
Acredito que vamos reagir, voltar a ser credíveis.
Equilibrando esta viagem com espírito de união, sustentados em base lusitana, com vento europeu a favor, saberemos se, no futuro, este esforço individual será uma vitória nossa.
Se
Se um dia houver um todo
Que seja pela tua parte
Pela sede da tua raiz
Pela tua alma, pela nossa arte
Se um dia chegar
Que venha pela mão do destino
Que traga ventos, mudança
Que mova mundos, nutra esperança
Se um dia se mover
Que emerja do chão
Impregne ira, vontade
Destrua muralhas, imaturidade
Se um dia acabar
Que morra esgotado
Na praia, sem forças
Vivido, toureado
Se um dia for
Que seja, … estou preparado!
Que seja pela tua parte
Pela sede da tua raiz
Pela tua alma, pela nossa arte
Se um dia chegar
Que venha pela mão do destino
Que traga ventos, mudança
Que mova mundos, nutra esperança
Se um dia se mover
Que emerja do chão
Impregne ira, vontade
Destrua muralhas, imaturidade
Se um dia acabar
Que morra esgotado
Na praia, sem forças
Vivido, toureado
Se um dia for
Que seja, … estou preparado!
Sunday, December 26, 2010
Medos Rasgados
Vinho sabedor do destino, da cor
Aroma amargo, pela metade…
Nascente desejada, distante
Sabor órfão de saudade
Pressa desmedida de crescer, mudar
Medida de sentir único, urgente
Grito gasto na fonte
Esmagado pela escolha, pelo lugar
Condição de ser pela razão
De ser pela arte de negar, pelo sentir
De ser a tentar, partir
Querer de céu, real chão
Toque tecido a frio
Voz trémula de querer
Luz com nome, passado, brio
Alma parva por saber
Mapa frágil de regressos
Inspirado, certo, gigante de rigor
Passos fortes, medidos
Rota rasgada a suor
Thursday, February 11, 2010
Portugal sem Coração
Portugal, este país à beira mar plantado, está num impasse digno de reflexão.
A economia bateu no fundo, a credibilidade dos políticos simplesmente não existe e os números, muitas vezes refúgio das inverdades moralizadoras, reflectem uma conjuntura preocupante.
A política dos últimos anos esbanjou dinheiros cruciais para um desenvolvimento sustentado. Substituiu o conhecimento, uma rede de comunicação eficaz, a modernização tecnológica, por um sentimento snob de facilitismo e riqueza patética.
Andámos embriagados com subsídios, formações e outras artes de entreter.
Com o som da crise de fundo, fomos vivendo muito acima das nossas capacidades, hipotecando gerações futuras com a mesma facilidade que digeríamos a realidade.
A culpa não deve morrer solteira.
O veredicto é simples. Culpados somos todos nós. Políticos, povo, todos.
Políticos, pela enorme incompetência, impunidade e esquizofrenia económica.
Povo, porque credibilizou todo este espectáculo, aplaudindo em conformidade com vontades egocêntricas.
Dizia um amigo em conversa distante “… não te esqueças que os governantes também são portugueses”.
Não quero acreditar que o mal é genético, que a arte de gerir ficou condicionada com o fim dos descobrimentos.
A verdade é que não acredito neste sistema, nesta espécie de democracia.
Logicamente reforço todo o tipo de liberdade, todas as arduamente conseguidas com a revolução de Abril, mas vivo com o sonho de um futuro melhor, muito melhor.
A evolução de um país faz-se de conhecimento, de pessoas e de oportunidades.
Só com a maximização destes três factores se conseguirá um Portugal mais forte.
Gostava de estar profundamente enganado, de ser mais um rezingão, mal-encarado com sede de desgraça, gostava… como gostava!
Thursday, January 28, 2010
Virar a página

Virar a página entusiasma o poeta, sedento de linhas, de história, de personagens.
Encerrar um capítulo exige reflexão. Uma retrospectiva alucinante de momentos, de partes ricas de conteúdo, sedentas de tempo e espaço.
Exige uma espera que seca a alma, nutre a memória, alimenta “ses”, decepa espíritos de mudança.
O medo de ler a última sílaba mescla o sagrado com profano. Agoniza a vontade de pecar, de espreitar, de saber um pouco mais sem tirar os pés da segurança do nosso chão.
O “para sempre” criado soa a pouco, esfuma-se sem se notar.
O envelhecer eterno confunde e perde-se no tempo viciado em partes baralhadas sem partir.
Página virada, capítulo encerrado e agora?
Deitar a cabeça e adormecer. Dormir um sono profundo até perder as forças. Sentir cada momento como algo distante e obrigar tudo o que sentimos nosso a partir, sem vontade de voltar.
Reflectir, pedir um dom divino que nos oriente, que reescreva vontades, artes de crer, sabedorias de agir.
Afogar Velhos do Restelo e ressuscitar a alma lusitana.
Acreditar.
Fundamentalmente acreditar que o vento orienta vontades sustentadas em trabalho e que qualquer viagem se torna mais fácil na companhia certa.
O olhar procura um livro novo, novas capítulos, com a certeza que as personagens vividas são já parte da própria história.
Uma pequena pausa…
O Poeta entusiasmado voltará a virar a página…
Friday, April 17, 2009
Fim de ciclo

Não sou apreciador de momentos nostálgicos, de fados de alma, de recordações. A vida faz-se caminhando e naturalmente o presente é o mais importante, o que decide.
Mesmo assim não posso deixar de recordar e fundamentalmente agradecer. Agradecer a todos que construíram um ciclo de vida, uma vida muito boa. Um ciclo cheio de conversas, sorrisos, abraços e emoções.
À minha primeira casa, que me recebeu caloiro, verdinho, verdinho, mas cheio de ilusões ofereço:
. os passeios de cabeça pelas sebes, as visitas do Perro, os conselhos da Dani, a mania das doenças da Lila, a animação do Raul, os stresses da minha mana, as conversas na varanda, as grades de cerveja, os garrafões de vodka, as noites do caki, a magia do BA, a musica do Sardinha, os shots no Smarcus, a lama do Enterro, as aventuras com o Miguel e com o Tiago, as francesinhas do Burgão…
À minha segunda casa, à que cheguei cheio de vontade de mudar a história, hábitos, e com ambições renovadas ofereço:
. toda a demência que lá se viveu, todos os limites que batemos; bebida, brindes, jantares, sinais, sacas do lixo, camas por fazer, casas de banho por limpar…
.todos os exames, apontamentos, horas na biblioteca, aulas…
.todas as nossas viagens, teorias, conhecidos, gargalhadas, cortejos, “danças do fogo”, voltas a Portugal na vontade de conhecer todo o espírito académico…
.todas as mesas de minis a meio da tarde, toda a água bebida ao acordar, todos os tremidinhos acompanhados pelas inseparáveis batatas, as francesinhas dos Jardins.
.a responsabilidade do Gusto, a comidinha da Ana, as explosões do Rui, o ritmo do Cunha, a anormalidade do Nuno, a paciência do Pedro, a força do Igor, a energia do Riba, o incomparável Sr. Martins.
Duas casas, duas realidades a mesma energia, profunda amizade e gratidão.
Os amigos não se esquecem, não se fazem esquecer…
Conto com todos vocês neste novo ciclo que se abre, em que espero repetir tudo pelo menos uma vez
Até já.
Tuesday, February 10, 2009
Nostalgia versão anos 80/90

Quando olhamos o calendário … 2009 parece natural. Recordando a escrita “Barcelos 11 Janeiro de 1988”
Descobri um caderno desbotado pelo tempo, com caligrafia digna de quem está a crescer na escrita. No início da página num tom carregado e trémulo a data… ano de 1988.
Sim… senti o que sentem os mais antigos, os que afirmam que” no tempo deles é que era”, que as brincadeiras ignoravam tecnologias e reclamavam nódoas negras e calças rasgadas no joelho, que o futebol, mesmo com balizas de pedra, brotava golos e alegria, que o chocolate era de um doce sem igual.
Mas este tempo nosso, também é meu. Mas não sinto as coisas como minhas. Pelo menos como foram os “Conguitos”, os bolos de chocolate com o bonequinho do Hi-Man, as aventuras do Tom Sawyer, a angústia das decisões do Agora Escolha, as frases míticas da Rua Sésamo (Peixe, Peixe…Peixinhooooo), o problema com a geometria da Ana dos cabelos ruivos, a arte Karateca da Joaninha do Duarte e companhia,o domínio do Guilherme Tell, as engenhocas do MacGyver. Tantas e tantas coisas que mesmo sem a magia dos “neons” publicitários, sem violência gratuita, partilhei com tantos outros nos “meus” anos 80/90.
Como recordar é viver sugiro que consultem http://osverdesanos.blogspot.com/.
Cuidado com a lagrimazinha no conto do olho :)
Tom Sawyer
He Man
Agora escolha com Vera Roquete
Duarte e Companhia
Guilherme Tell
MacGyver
Tuesday, November 18, 2008
Minha grandeza

Minha grandeza conhecia o mundo
Pedia mais, voltava, seguia…
Gritava na espera, tardava no voltar
Perdia o pé, lutava…fugia!
Minha voz cantava a vida
Transbordava guitarras de verde vinho
Melodia perfeita…
Bater maior… flor de verde pinho.
Minha verdade mentia
Confessava a origem, o pecado
Escrevia torto, em contra mão
Mãe ternura, triste perdão.
Meu olhar esquecia
Angústias de Outono, o meu espaço
Teus enganos de alma…
Rosas vadias, sem regaço.
Meu silêncio conhecia
Mitologia oca, ventre esfumado
Deuses, impérios, mares…
Neptuno destroçado.
Monday, June 02, 2008
Que diferença fazem 400 milhões de euros ?

O prémio máximo da lotaria, o euromilhões muda de forma absurda uma vida. Ter capacidade de ter tudo. Basicamente é isso. Ter absoluto.
15 ...20 milhões de euros fazem, de facto, grande diferença!!!
E 400 milhões?
Pelos vistos, tudo depende.
O ex ministro António Costa adjudicou um orçamento 400 milhões de euros mais caro do que um outro que cumpria exactamente as mesmas características.
No momento em que se discute ao cêntimo, os aumentos salariais, os combustíveis, a inércia da economia , o preço dos cereais, a inflação, surge este numero megalómano.
Não percebo este país. Acredito que os “milhões” confundem, o valor em euros não permite ter noção da sua gravidade.
Traduzindo: 40 euros a cada português ; 8 “contos” dos antigos!! Cerca de 32 “contos”em média por família.
Fará sentido pedir esforço, aumentar impostos, rigor absoluto quanto ao exigir e libertinagem no gerir de dinheiro publico.
Penso que num país sério, algo semelhante daria seguramente um golpe de estado. Aqui, neste “país à beira mar plantado” , entretido com “scolarimanias”, bandeiras nas janelas, directos de treinos em campos de golfe, euforia patética... tudo passa.
Estou triste com o meu país.
Penso que o mal está mesmo aí. Por ser “o meu país” tenho sempre esperança que tudo mude.
Ficou registado. A vida continua.... vou continuar atento.
Monday, May 19, 2008
Há frases...

Há frases que podiam perfeitamente ser banda sonora.
De tão fies ao momento, de tão enervantes... de incomparavelmente reais.
Pena que o que é nosso, não seja só nosso, ou que um outro, seja mais competente na legenda.
Resta o tédio de a ler com vontade de a gastar, que a repetição esgote o seu sentido.
“Ser jovem é querer partir. Envelhecer é querer ficar.”
José Manuel dos Santos in Expresso
Sunday, March 02, 2008
Palavras que ninguém quer

Palavras que ninguém quer...
Sílabas que recordo, guardo, venero
Sons mudos, frios, teus
Palavras minhas
Palavras que ninguém quer!!
Palavras, retratos, historias
Papel em branco em que respiro
Sufoco a dor, pinto a vida, acredito
Palavras perdidas...
Palavras que ninguém quer!!
Sonhos mudados, crentes, eufóricos
Caminho que só eu sei, conheço.
Capitulo que vi nascer, construi, li
Palavras bonitas...
Palavras que ninguém quer!!
Palavras minhas... silêncio teu.
Medo que me suporta, protege, educa.
Verdade sem sentido, cruel, real.
Palavras de vida, que em mim criei
Palavras minhas... castigo meu.
Palavras bonitas...
Palavras que ninguém quer!!
P.S. Algumas palavras esgotam o seu sentido com o tempo,outras, reforçam-no,
alimentando-se do silêncio e da memória.
Tuesday, February 19, 2008
Hoje sim.

Este é o melhor momento para exigir:
. alguma sorte.
. boas noticias.
. boas conversas.
. pensamentos que mudam o dia.
. sorrisos que não dão para esconder.
. visitas sem avisar.
. perguntas indiscretas.
. tempo para as minhas coisas.
. musica para os meus ouvidos
. chuva e frio para dormir.
. cobertor e comando na mão.
. um bom filme
. bom livro
... um bom fim.
Espécie de...

Uma ausência dada à preguiça pode ser desculpada em termos de reflexão, por as ideias em ordem, processo de maturação...
Mas a verdade invariavelmente soa melhor. Foi mesma preguiça, falta de assunto, vontade de escrever.
Pensei em alterar o “tom” ao blog. O humor, tentativa de...
Sem recorrer a invejas próprias de vizinho afortunado, a sucesso alheio apetecível, a imitações de caminho fácil. .. a escrita seguirá o caminho que bem entender, sem pressa, sem obrigações, sem qualquer espécie de.
A política continua o melhor recurso, a inspiração para a melhor ficção.
Aos poucos espero recuperar a confiança.
O mais importante prometo.
Vou andar atento... voltar a andar atento.
Friday, February 08, 2008
Especialista

Frase feita... ser especialista em.
Segredando a frase de uma publicidade conhecida... reflecti.
Ter um dom, arte, jeito divino de fazer algo de forma a sobressair dentro de grupo ou sociedade; cozinha, desporto, desenho, pintura, números, letras...
Não reconhecendo nenhum destes feitos de forma gloriosa, acredito, “tenho fé”, que nasci para ser especialista em coisa alguma.
Sim. Sou especialista em nada, ou quase nada.
Não fosse eu português, artista do desenrasque, por natureza, pouco por mérito. Faço, tento fazer um pouco de tudo. Faço superficialmente.
O “champanhe ”está guardado para a comemoração.
Fico à espera da data. O dia de “ser especialista”...
Não tenho pressa... espero com prazer.
Friday, July 06, 2007
"Flexisegurança"

Por vezes, surgem palavras que ouvimos repetidamente e ignoramos o seu sentido. Não na sua totalidade, mas na sua essência.
Nos últimos tempos surgiu o termo “flexisegurança”, que deu aso a acesas discussões, debates, e mais recentemente a uma manifestação (5 junho) envolvendo milhares de pessoas.
Sendo assim, parece de interesse comum especificar o conteúdo deste termo e tentar entender o porquê de tanta agitação social. Políticos europeus parecem ver nela ( flexisegurança) a salvação, por outro lado, a maioria dos trabalhadores não encontram esperança nem segurança na sua implantação.
A mensagem essencial da flexisegurança é a de que um mercado de trabalho flexível, com maior facilidade de despedir, é mais eficaz, desde que associado a políticas activas de emprego e a subsídios de desemprego generosos.
O argumento é o de que num mundo de trabalho mais instável devido à globalização, a qual conduz a uma forte concorrência internacional, é ilusório defender os empregos existentes, pelo que só haveria duas alternativas: o modelo americano que significa a desregulamentação ou o modelo que combina a flexibilidade com a segurança.
A ideia de um emprego para a vida toda, trazida pelos nossos pais, apresenta assim os dias contados.
Com o mundo do trabalho tão próximo, convém assegurar a ideia que seremos postos à prova diariamente, e a segurança do contrato de trabalho será uma utopia.
A concorrência será certamente feroz. Resta-nos acreditar que o talento será reconhecido em qualquer circunstancia.
O futuro trará consigo as conclusões...
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